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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sou Amante: Como Faço para Virar a Titular?


“Olá, tenho 27 anos e me relaciono há 2 anos e meio com um homem casado, 23 anos mais velho que eu e muito bem sucedido. Sou uma mulher bonita e a maioria das pessoas me dão menos idade do que eu tenho. Sou inteligente, e inclusive essa é uma das coisas que ele diz atraí-lo a mim. 
Estaria mentindo se dissesse que este relacionamento só me faz sofrer. Gosto demais deste homem. Sua inteligência e competência são um exemplo para mim. E de certa forma ele cuida de mim. Explico: saí de casa aos 20 anos, por não me dar bem com meu padrasto. Passei por muitas dificuldades, e ao conhecê-lo ele quis mudar minha vida. Arranjou um bom apartamento para eu morar, pagou todas as minhas dívidas e desde então me orienta, tem sido meu professor e ajudante nas questões financeiras e profissionais. 

As pessoas que me conheceram antes percebem facilmente o quanto mudei, para melhor. Tudo seria perfeito se não fosse o fato de ele ser casado e já ter dito que vive bem com a esposa e que por isso, seria muito difícil separar-se. Ela é 8 anos mais nova que ele. Ele é divorciado e mora com ela há 7 anos. Ele é carinhoso, muito atencioso, sempre dá um jeito de me ver. Saímos para almoçar e jantar fora, vamos ao shopping, passeamos, fazemos amor. Vários amigos dele me conhecem e inclusive saímos juntos para jantar ou almoçar. Ele é meu melhor amigo: é com ele que divido minhas tristezas, minhas conquistas, ele me encoraja a crescer como pessoa e como profissional, é ele também que me acompanha quando faço algum exame. Está ao meu lado, mesmo que à distância, em "todos" os momentos. E eu sofro, porque queria fazer parte da vida dele.
Queria que fosse meu companheiro, sem hora marcada, sem hora para ir embora. Ele tem que ficar me ligando escondido aos finais de semana, mandando torpedos. Isso é péssimo. Ele diz que gosta demais de mim mas, que uma decisão dessas não pode ser tomada de um hora para outra. Ele é muito materialista e tem medo de perder dinheiro ao tomar a decisão de ficar comigo. Sei que essa situação é cômoda para ele. Queria terminar, inclusive já fiz isso uma vez, mas voltamos logo. Ele me procurou chorando, dizendo que não conseguia e não queria ficar longe de mim. E eu acabei voltando, por gostar demais dele. Nossa relação de amantes não é convencional. Ele me cobra fidelidade, me monitora. Sabe de todos os meus passos, coisa que faço sem nenhum problema. E vou vivendo assim. Esperando a coragem chegar. Quero ficar com ele e chego a acreditar que isso pode acontecer, mas minha vida está passando e não posso esperar por algo incerto. Preciso de ajuda.”

Electra (esse foi o termo usado por Jung - psiquiatra suíço contemporâneo de Freud, criador da psicologia analítica, também chamada junguiana, baseado na mitologia que indicava o amor da menina/mulher por seu pai, mito semelhante ao de Édipo - usado por Freud, para ilustrar o complexo tanto no masculino como no feminino),

Parece estranho, mas é mais comum que você imagina. 
Muitas mulheres e homens são muito influenciados pela “figura” dos pais, essa influência no caso das mulheres pode gerar uma amor maluco pelo pai, ou o que é muito comum, se desloca para os relacionamentos. Essa hipótese me parece seu caso. Talvez a briga com seu padrasto (figura paternal), tenha muito mais a ser explicado, provavelmente o processe da sua criação ficou marcado por uma ação de muita energia com ele, assim sua briga, sua saída de casa te deixou um espaço a ser ocupado, um deslocamento, culminando na figura do seu amante, que mais me parece um tutor que um homem de afinidades para um relacionamento homem e mulher.

O que aflige não é necessariamente perdê-lo, mas sim encontrar outro que possa cumprir essa mesma função.

Veja o que você relata, ele é um “ajudante”, pagou suas contas, um professor, podemos resumir que ele te “adotou”, mas só adotamos crianças ou discípulos, dependentes.

O saudável em um relacionamento são pessoas inteiras que se ajudam, repito se ajudam, mutuamente e crescem. Não vou aqui decorrer sobre a presença dele, que também tem uma deficiência uma vez que te adotou, passou a ser complementar nessa neurose.

Você deve ter notado que não falei da diferença de idade, que realmente não importa, mas sim que ele representa essa figura paterna. Para completar ele é casado, assim você tem uma mãe como algoz, rival, e igualmente você não põe um ponto final nessa história, como se não quisesse magoá-la, mas mesmo assim quer ele só para você e não só os passeios...

Cara Electra, sinto muito em desanimar, mas dificilmente ele deixará essa mulher, e mesmo que a deixe não vai funcionar, por que a dinâmica desse “relacionamento” só funciona assim, é neurótico e sua saída é realmente buscar uma nova consciência, saber dos seu medos, analisar sua história e sair desse ciclo.

De maneira saudável você poderá encontrar um homem livre e que olhe para você como mulher e não um ser dependente e carente.

Boa Sorte!

Alexandre Santucci

Envie suas perguntas para  SeR no Divã (sernodiva@gmail.com), seu nome não será publicado.

Publicado no SeR em 08 de Setembro de 2010 19:54


Georgia Maria diz:

Eu ia complementar os conselhos do Alexandre Santucci, mas além de terapeuta, é um homem tão vivido quanto eu e deu a resposta não só como psicólogo, mas como homem também.
As pessoas nos procuram não pra ler esse tipo de alerta, mas para achar uma solução mágica, um encantamento, para conseguirem ser felizes.

A felicidade só existe no possível. No impossível, e pior, no impossível sabido, se torna agonia.

Procure alguém desimpedido ou viva sua meia vida, até o momento que ele não lhe servirá mais como homem, nem pra passear de mãos dadas no shopping, porque você vai querer mais da sua vida. Ou então, se conforme em ser alguém que só serve pra satisfazer o ego de um outro alguém. Por mais doloroso que seja ler isso, todo mundo procura num(a) amante aquilo que lhe falta de sonhos em um relacionamento. Mas não se vive só de sonhos. Então, passou da hora de acordar.

Um dos piores defeitos das mulheres é achar que se vive de ilusão. Não se vive; quem inventou essa frase era um pobre sonhador.
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