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terça-feira, 12 de junho de 2018

Amor miojo

No Brasil hoje se comemora o dia dos namorados.

A curiosidade é que a data foi criada pelo publicitário João Doria (pai do ex-prefeito de São Paulo) e é dia 12 de Junho, pois é véspera do Dia de Santo António, o santo casamenteiro. Ele apresentou a ideia aos comerciantes paulistas e a lançou em junho de 1949 com uma campanha cujo slogan era "não é só com beijos que se prova o amor" e logo o Brasil todo aderiu!
Veja! Nada de mais, a não ser uma data comercial, e assim não comemoramos com o resto do mundo (dia de São Valentim) porque se comemora em fevereiro (dia 14), quando já temos o carnaval. Porém foi em junho, pois não havia nenhuma data comemorativa que impulsionasse o comércio.

A bem da verdade o que me traz a escrever é sobre o que se insere em termos do  relacionamento. Sabemos que nessas datas muito se é dito, mas de fato pouco se é feito!

“O amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento.” Zygmunt Bauman


Zygmunt Bauman em seu “Amor Líquido” fala sobre a fragilidade em que nos encontramos nos relacionamentos em tempos de realidade virtual. Fala do liquido em contraponto ao sólido, a solidez, o líquido como aquilo que nos escapa às mãos.


Penso, ou sempre procuro pensar, no caminho que se traça. Como chegamos a isso ou aquilo? Qual processo percorremos, individual ou coletivamente?

O resultado não é só liquido é também instantâneo como uma Polaroid, mas não só, avançamos muito mais. Nesses dias não se quer nem mais esperar que o filme (instantâneo) se revele, não precisa, basta “postar”. Não precisamos mais curtir o jantar, aproveitar a suculência dos alimentos, precisa que seja rápido apenas para que vire um “history”, mesmo que se apague em 24 horas ou ainda mais rápido se for um “Snapchat”.

Esse é o resultado, mas e o caminho?
Vamos pensar na Polaroid, nasceu em 1937, lançou a máquina em 1949 (ao preço semelhante ao de um Iphone), popularizou no mundo na década de 70 e praticamente faliu em 2001. Já a Apple, nasceu em 1976, lançou o Iphone em 2007 (quase 10 após o surgimento dos smatphones) e virou coqueluche sete anos depois. 
Essa curta história paralela de duas empresas, ou dois produtos, me faz revelar uma constante: o consumo!
 O smartphone foi lançado em 1999, dois anos antes da “falência” da Polaroid.

Apesar da Polaroid estar à mão, era (e ainda é) usada apenas nas celebrações, viagens,etc..., a ideia era tirar, ou melhor, registrar os momentos de alegria, de relações sólidas. Já os smatphones estão à mão também para isso e muito mais: se comunicar!
As distâncias foram encurtados de tal forma que falamos com outros países por imagens, vídeos, assim criamos as redes virtuais e tudo o que todos vemos e sabemos. 

Mas, o que aconteceu com as relações? Apesar das distancias curtas, nos afastamos do contato, do afeto.

 O consumo e a tal psicologia moderna nos propôs relações com menos frustrações (ou nenhuma), não é preciso esperar ninguém chegar, podemos participar tudo em tempo real, acompanhar onde está pelo gps. Não precisamos mais de perguntas, temos muitas respostas, a ansiedade pela viagem, foi trocada pelos passeios virtuais, muita gente conhece seu destino sem nem precisar chegar. Criamos agendas tão bem planejadas que evitamos qualquer desconforto, assim ter uma mala extraviada é quase como o fim do mundo, pois prevemos tanto que deixamos de viver o inesperado, a adrenalina do novo!


Em tempos líquidos, não podemos mais esperar o ponto do macarrão, precisa ficar pronto rápido, instantâneo, mesmo que o gosto não seja lá essas coisas! 

Esperar o ponto do macarrão é como a paquera, literalmente vamos cozinhando a relação. A paquera é o primeiro ponto para nos conhecermos, é aquela fase do outro, do olhar, do descobrir do se encantar. À medida que a temperatura aumenta, não da água fervente (essa também) vamos nos dispondo (e não despindo) ao outro, até que ocorre o primeiro beijo (o ponto do macarrão), daí em diante nos misturamos, nos conhecemos e damos o primeiro passo à intimidade (o molho se mistura à massa), temperamos , sim nos temperamos, reconhecemos o humor um do outro, sua tez, textura, cores, toques e como a massa, é nessa hora e só nessa hora, que organizamos o ambiente, que alcançamos o ápice do desejo e nos deleitamos com os sabores que se aproximam.

Arrisco dizer que quanto mais nos detemos ao momento, quanto mais saborosamente curtimos a experiência, mais intensamente alçamos o êxtase dessa relação.
Repetir essa construção, dia a dia, aproveitar cada novo sabor, saber, novo tempero, voltar em outros, dialogar com esse novo, velho, é que nos faz solidificar as relações.

Mas o que fizemos? Trocamos o desejo pelo resultado, o sexo em si, não tem ebulição, o sucesso não é mais um caminho é uma forma de apresentação, um cartão de visitas, não é mais individual, para si, é para o outro, os outros.
Por quê?Por que precisamos parecer que somos, pois tudo é tão rápido que pouco importa o gosto, basta que rapidamente seja plástico, melhor, plástico eram as polaroides, precisa ser visto, é preciso ter a aparência!

Não estou falando de amor, amor é fluido, existe para todos nós, apesar de muitos ainda confundirem com paixão. A paixão pede o miojo, o amor a massa!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Amor em Tempos Modernos

Acabei de ler um texto (acho que do Jabor, ele diz que muitos não são dele...enfim), mas um que anda por aqui. É realmente curioso como somos levados, nesses tempos atuais a pensar que tudo é provisório, que tudo pode ser trocado, que a vida é uma embalagem descartável...Evidente que nada é para sempre, mas a essência, essa permanece.

É tempo de pensarmos um pouco mais nesses conceitos "modernos".

Realmente acredito que temos que pensar, sentir e aquilo que não dá certo se descarta e não transformar sua vida num inferno, num vaso de dor, piedade, pena de sim mesmo ou do outro. Porém quando é possível, por que não acreditar? É possível re-novar?
Seguir adiante diante das dificuldades é sinal de maturidade, desistir: infantilidade. Sei muito bem o que é isso, vivi isso.
Hoje tenho plena consciência de como é bom encontrar alguém que tenha a ver com você, mas também sei que ninguém é igual a você, que bom! Essa natureza dos relacionamentos é o que nos faz crescer.

Já disse isso uma vez aqui: ninguém tem que ceder, você tem que encontrar alguém que ao olhar pra essa pessoa você simplesmente tem vontade de fazer o que agrada a esse alguém, que ao agradar esse alguém, agradar também te agrada. (E olha, não diga que está difícil, impossível, encontrar, basta que tenhamos paciência e não nos atiremos nos primeiros braços só para não ficar sozinho!)

Ninguém nasceu para viver só, também não nascemos para sofrer, por isso sempre é tempo de avaliar e andar, caminhar, seguir e saber que quando estamos diante da nossa companhia de jornada, se predisponha diante dela, saiba que terão tempos de isolamento, tempo que você vai cair, que o outro vai cair, mas saiba também que terão um ao lado do outro para entender, ouvir e ajudar-se mutuamente.

Aprender a ouvir com o coração, essa sim é a nossa tarefa, 
saber dos seus limites, alcançar o outro

seguir pela fé, pelo amor!
Texto do Jabor: Relacionamentos

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Amor e Respeito, Mulheres do Presente, presente!


Meu caro boa noite, primeiramente gostaria de parabeniza lo pelo seu trabalho e seriedade.

Bem, meu caso é o seguinte, conheci a um ano uma moça tenho 24 e ela 21 anos, nosso relacionamento criou bases sólidas e pensamos em um futuro juntos, no inicio do relacionamento ela havia me dito que antes de mim teve dois namorados, um de dois anos e o ultimo que durou 4 anos e que ela inclusive morou um ano junto, aí que entra a questão, não tenho ciumes de ela ter tido relações sexuais ou ter se deitado com outros homens, meu ciúme vem justamente do fato de ela ter morado junto, como se os planos que fazemos hoje, que para mim são inéditos para ela fosse apenas um reprise de algo que já viveu e agora com outro personagem, sei que não é justo pensar nisso e sofro bastante, já discutimos uma vez e quase terminamos, eu não jogo nada na cara dela, pois sei que não e justo, é a vida dela e ela viveu da melhor maneira acredito, assim como eu vivi a minha. O problema é que eu nutri dentro de mim esse sentimento, e já não sei o que fazer, não me comparo com o ex dela que nem sei quem é, nem procuro saber pormenores do fato, mas essa questão e ela já ter feito planos e ter divido o dia a dia e a vida com outra pessoa me assombram, mesmo sendo um caso encerrado na vida dela, quero ter paz e poder planejar um futuro com ela sem esses fantasmas. |

No inicio do relacionamento nem me importei com isso, achei que seria apenas diversão para ambos os lados, mas com o passar do tempo junto com o sentimento crescente veio o incômodo com esse fato, que até pensei ter esquecido, mas esses dias caiu como uma bomba em cima de mim, e ao ler relatos de homens que passam 5, 10, 30 anos com a parceira sempre mergulhados nesse tipo de pensamento fico extremamente preocupado, pois não quero me ater a isso.

O que posso fazer?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Gênesis - Onde nasce o amor?

A mentira é o medo do futuro
uma história de amor
Onde nasce o amor?
Quando criança aprendemos a amar, em realidade quando crianças já sabemos o que é o amor, quando crescemos vamos esquecendo. 
As pessoas necessitam tanto de uma companhia que esquecem de onde vem o amor.


A experiência do amor tem muito a ver com aquilo que chamamos crescimento.
Em nossas fases de vida desde o nascimento somos colocados, fase a fase, frente a situações de desenvolvimento, ou de des-envolvimento.
É um grande circulo ou uma espiral que gira em torno do envolver e des-envolver.
Viver passa a ser um aprendizado, onde o importante é aprender e desaprender, sem deixar de reter o conhecimento, mas aproveitando o melhor de cada jornada.

Imagine uma menina que ganha uma boneca de presente. Assim que ganha vem uma euforia, uma grande alegria do receber o presente, naturalmente o momento seguinte é brincar com o presente, assim o ganhar ficou para trás, mas a sensação do ganhar não, pelo contrário, será repetido inúmeras vezes, tantas quantas se sentir feliz ao receber um novo presente. Já o brincar ganhará muitas formas, algumas se repetirão, outras serão sempre uma novidade e a forma que mais agrada será marcada e gravada. Agora se essa menina estabelecer uma relação com esse brincar de forma estática, se a regra para brincar for sempre a mesma, ela vai se envolver com essa relação também sem a possibilidade da mudança e levará por uma vida e não conseguirá se des-envolver dessa relação e permanecerá como a única possibilidade.
Com o passar do tempo, se não for dessa forma conhecida, terá medo de arriscar e não ser feliz com essa “brincadeira”.

São nas fases mais antigas que estabelecemos nossas regras de relacionamentos e desenvolvimentos e a partir de lá criamos nosso padrão de comportamento.
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